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Curva ABC de estoque: como identificar o que realmente vende

Nem todo produto da sua loja merece o mesmo espaço. A curva ABC de estoque existe para provar isso com números. Ela divide os itens em três classes, conforme o que cada um representa nas vendas. O resultado é simples de ver e difícil de ignorar. Poucos produtos concentram a maior parte do faturamento. Enquanto isso, o resto apenas ocupa prateleira, capital e atenção.

Para o gestor, essa visão muda decisões do dia a dia. Por exemplo, ela orienta onde alocar o espaço da gôndola e quais produtos reforçar na compra. Além disso, aponta o que liquidar antes que virem prejuízo. Neste guia, você vai aprender como fazer a curva ABC de estoque. Além da fórmula, verá um exemplo prático e os erros que distorcem a análise. Por fim, vai transformar o método em rotina, e não em projeto de fim de semana.

O que é a curva ABC

A curva ABC é a aplicação do princípio de Pareto na gestão de estoque. Em resumo, poucos itens respondem pela maior parte do resultado. Os campeões de venda formam a classe A. Por sua vez, a classe B fica no meio termo. Por fim, a classe C reúne os itens que quase não saem.

A divisão clássica funciona assim:

  • Classe A: cerca de 20% dos itens, com 80% do valor movimentado
  • Classe B: cerca de 30% dos itens, com 15% do valor
  • Classe C: cerca de 50% dos itens, com apenas 5% do valor

As proporções variam de loja para loja. No entanto, o padrão se repete em quase todo varejo. Portanto, o valor da análise não está na porcentagem exata. Ele está na hierarquia que a curva revela entre os seus produtos.

Como calcular a curva ABC

O cálculo usa o valor movimentado de cada item em um período. Normalmente, a janela é de 90 dias ou 6 meses. Com os dados do sistema de gestão, a sequência é a seguinte:

  1. Levante o faturamento de cada produto no período
  2. Calcule o percentual de cada item sobre o total
  3. Ordene os itens do maior para o menor percentual
  4. Some os percentuais acumulados, item por item
  5. Classifique: até 80% acumulado é classe A, de 80% a 95% é classe B, o restante é classe C

Uma fórmula simples ajuda no início:

Percentual do item=Faturamento do itemFaturamento total×100

Em planilha, a conta sai em minutos. No sistema de gestão, ela já vem pronta no relatório de curva ABC. Assim, a barreira real não é calcular. A dificuldade está em agir sobre o resultado.

O que fazer com cada classe

A classificação só tem valor quando vira ação. Portanto, cada classe pede um tratamento diferente na operação.

Os itens da classe A são os produtos que pagam as contas da loja. Eles merecem prioridade em tudo. Compra reforçada, estoque mínimo ativo, posição privilegiada na gôndola e reposição frequente. Afinal, ruptura em item A é a mais cara do varejo, pois é ali que está o cliente recorrente.

Por sua vez, a classe B representa o equilíbrio da operação. Mantenha estoque saudável e acompanhe o giro de perto. Além disso, fique atento à sazonalidade, porque alguns itens da classe B sobem para a classe A com o tempo. Por isso, revise a classificação com frequência.

Por fim, a classe C é o ponto de atenção. Esses itens travam capital, ocupam espaço e exigem conferência. No entanto, nem todo item C deve ser eliminado. Alguns sustentam o sortimento completo que atrai o cliente. O critério é claro: item C sem papel estratégico vira candidato a liquidação.

Erros comuns na análise

Comprar com base no custo é o primeiro erro. A curva ABC mede o que movimenta caixa. Portanto, use o faturamento, e não o custo, na primeira análise.

Classificar uma vez e nunca mais revisar é o segundo deslize. O mix muda com sazonalidade e tendência. Um item B de inverno pode virar C no verão. Assim, refaça a análise a cada trimestre, no mínimo.

Além disso, olhar só o faturamento e ignorar a margem também distorce o diagnóstico. Nem todo campeão de venda é campeão de lucro. Por isso, cruze a curva ABC com a margem por produto. O item A com margem baixa pede renegociação com o fornecedor.

Eliminar todo item C sem critério completa a lista. Alguns produtos C existem para completar o sortimento. O tempero especial que vende pouco, mas diferencia a loja, é um bom exemplo. Elimine o C sem função. Preserve o C estratégico.

Exemplo prático no pet shop

Para ilustrar, considere um pet shop com 800 itens ativos. Em seguida, imagine o gestor rodando a curva ABC dos últimos 90 dias no sistema. O resultado confirmou o padrão de Pareto: cerca de 160 itens concentravam 78% do faturamento.

Na classe A, apareceram rações de giro alto, areia sanitária e antipulgas. Entretanto, na classe C, o gestor encontrou surpresas. Brinquedos sazonais parados havia meses e acessórios caros sem giro. Juntos, os itens C ocupavam quase metade do espaço de exposição.

As ações saíram da análise. Os itens A ganharam alerta de estoque mínimo e reposição semanal. Depois, trinta itens C entraram em liquidação progressiva. O espaço liberado recebeu um expositor de petiscos, classe A com margem boa. Em 60 dias, o giro do estoque subiu, e o caixa respirou. Em suma, a conta final foi simples: menos capital parado, mais espaço para o que vende.

Como automatizar no sistema

Fazer a curva ABC na mão funciona uma vez. Sustentar a análise exige automação. Um sistema de gestão gera o relatório de curva ABC sempre que necessário. Além disso, cruza a classificação com estoque, margem e giro.

Com o relatório em mãos, a rotina fica leve. Toda segunda-feira, o gestor confere os itens A e os alertas de ruptura. Depois, no fechamento do mês, revisa os limites das classes. Por fim, no trimestre, decide o destino dos itens C. Dessa forma, a curva ABC deixa de ser projeto e vira hábito de gestão.

Para quem ainda controla estoque em planilha, o caminho é outro. O artigo sobre mostra os riscos dessa operação manual.

Checklist da curva ABC

  • Período de análise definido (90 dias ou 6 meses)
  • Faturamento por produto extraído do sistema
  • Percentual acumulado calculado por item
  • Classes A, B e C classificadas
  • Itens A com estoque mínimo e reposição ativa
  • Revisão dos itens C com critério de eliminação
  • Margem cruzada com a classificação
  • Análise refeita a cada trimestre

A curva ABC de estoque responde uma pergunta que todo gestor faz no dia a dia. Onde está o que realmente vende? Com a resposta em mãos, a compra fica mais certeira, o espaço da loja trabalha melhor e o caixa destrava.

Em suma, o método é acessível, e os dados já existem no seu sistema. Portanto, comece pela análise dos últimos 90 dias. Proteja os itens A e decida o destino dos itens C. Por isso, para aprofundar, veja o artigo sobre e o conteúdo sobre .

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